CAPELANIA HOSPITALAR

DEFINIÇÃO
 É uma prestação de serviço religioso ministrado aos enfermos em hospitais da rede pública ou privado, também garantido por lei federal e leis estaduais. Importante destacar que, embora a entrada de ministro religioso seja facultada por lei, este tipo de serviço não deverá trazer nenhum tipo de prejuízo aos enfermos no seu leito de internação coletiva. A equipe médica determinará sobre a possibilidade de um paciente, dadas as circunstâncias, estar apto ou não a receber a assistência religiosa.
 A capelania hospitalar desdobra-se no atendimento a vários tipos de enfermos: soropositivos, cancerosos, infantes, pacientes terminais, pacientes graves e etc. Para cada tipo de paciente requer-se um preparo e sensibilidade do capelão. É sempre uma linguagem diferenciada e apropriada.
 1.2 - CAPELANIA NO BRASIL.
No Brasil o oficio de capelania começou na área militar em 1858 com o nome de Repartição Eclesiástica, evidentemente com a igreja Católica. Em 1899 foi abolido.
Durante a Segunda Grande Guerra Mundial, em 1944, o serviço foi estabelecido com o nome de Assistência Religiosa das Forças Armadas.
Na mesma época foi criada também a Capelania Evangélica para assegurar a presença de Capelães Evangélicos nas FEB.
O grande nome que se destacou na Segunda Guerra Mundial, foi do Pastor João Filson Soren, pastor da PIB do Rio de Janeiro, por mais de 50 anos, falecendo em 2002.

1.3 - OUTROS CONCEITOS.
A Grande Enciclopédia Larousse Cultural, sem entrar em aspectos históricos, define a palavra Capela; “Antigamente, igreja ou oratório sem qualificação paroquial... compartimento reservado ao culto, um local privado”.
Daí a palavra Capelão, que segundo a mesma Enciclopédia que dizer; Sacerdote encarregado do serviço religioso em uma igreja não paroquial, ou uma capela de comunidade religiosa, um hospital, colégio, liceu, exercito, prisão.

1.3 - FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA DE CAPELANIA.
Em João 5. 39-40 temos uma fundamentação bíblica, para capelania, nas palavras de Jesus.
Em Juizes 17, temos em que Israel estava em uma desorganização total, então Mica, contrata um levita, para ser seu sacerdote particular. Temos um conceito de capelania.
Em 1 Reis 22, os profetas acompanharam o exercito de Israel para fazerem consultas a Deus a respeito das batalhas.
Em Mateus 25.34-46 fala da assistência a certos grupos especiais; famintos e sedentos, estrangeiros, mendigos, enfermos, presos. Isso tudo dá idéia de capelania.
Em Lucas 10.25-36, fala da parábola do Bom Samaritano, referindo-se a um cuidado total, físico, emocional, psicológico e espiritual.

2 – CAPELÃO
O Capelão hospitalar é o religioso devidamente qualificado, que cuida da assistência religiosa e espiritual dentro do hospital, quer seja dos doentes ali internados, quer seja do pessoal de trabalho no hospital; médicos, enfermeiros, psicólogos assistentes sociais, terapeutas, ouvidores e outros funcionários das diversas áreas administrativas.
O hospital é uma instituição que busca uma cura física. Temos que respeitar o ambiente, a estrutura hospitalar e o trabalho dentro das normas estabelecidas. Como evangélicos a Constituição Brasileiro nos da o direito de atender os doentes, porém não é um direito absoluto. Devemos fazer nosso trabalho numa forma que não atinja os direitos dos outros.

2.1 DEFINIÇÕES DA LEI
Lei nr.10.066/ de julho 1998
Dec. Lei nr. 44.395/ de 10 de Novembro de 1999.
Resolução 88-40 de 12 Abril  de 2000.

2.2  MINISTROS RELIGIOSOS.

  • Líder de Religião, Igreja, Seita, Comunidade Religiosa.
  • Padre.
  • Rabino.
  • Xeique.
  • Pastor, Missionário, Presbítero ou Ancião.
  • Médium.
  • Pai de santo.

IMPORTANTE

  • Importância da Identificação.
  • Carteira de Ministro verdadeira.
  • Permissão da família
  • Identificar-se na portaria.
  • Apresentação da carteira de ministro.
  • Assinatura do livro de registro se solicitado.
  • Apresentação no P.S. enfermarias, UTI.
  • Evitar o uso do cartão da família.

2.3 - O PERFIL DO CAPELÃO

  • Ter uma experiência pessoal de conversão a Jesus.
  • Ser impelido pelo amor à Jesus e às pessoas.
  • Ter sabedoria e humildade para saber que não é melhor do que os outros.
  • Ter a motivação certa.
  • Ter um alvo na visitação.
  • Cultivar  uma personalidade agradável, amável e cativante.
  • Ser paciente.
  • Ter excelente autocontrole de suas emoções
  • Não se impressionar com o aspecto físico dos enfermos.
  • Ter boa saúde física e psicológica.
  • Ter humor estável.
  • Ter tato e profundo respeito às opinais religiosas divergente, pois se quiser apanhar o mel não chute a colméia.
  • Ter desejo e habilidade em lidar com doentes.
  • Ter facilidade para submeter-se a regulamentos.
  • Ser perseverante no trabalho.
  • Ter discernimento e sensibilidade na conversação.
  • Não se irritar facilmente.
  • Saber controlar a língua, usando para curar e não para ferir.
  • Ter convicções quanto à dignidade, valor e potencialidade do individuo.
  • Ter flexibilidade para sentir-se a vontade diante de pessoas cultas como simples.
  • Saber guardar confidências dos pacientes.
  • Cuidar da aparência pessoal.
  • Saber usar a linguagem a forma de abordagem adequada a cada pessoa.
  • Dar tempo e atenção ao paciente visitado.
  • Ser servo.
  • Ter o dom da misericórdia.
  • Saber identificar-se com as pessoas.
  • Ter profundo amor ás almas e pessoas perdidas.
  • Ter sensibilidade parar, com a descrição, observar o ambiente, sentindo quando é o momento mais oportuno para visitar.
  • Saber evitar intimidades e não intimidade alheia.
  • Saber evangelizar.
  • Saber ouvir.
  • Aprenda a ouvir profundamente para depois falar.
  • Dificuldades ao ouvir:
  • Preconceitos.
  • Defesas pessoais.

Alguns princípios para ouvir melhor.

    • Não interrompa a conversa.
    • Não desvie o seu olhar.
    • Valorize os sentimentos dos outros.
    • Não procure competir com a historia ou piada da outra pessoa.
    • Não critique.
    • Faça perguntas apropriadas.

     

    FÉ E A MEDICINA
    INTRODUÇÃO:

    • Revista Época, edição 566 (23.03.09), uma matéria com o título: “A fé que faz bem a saúde”.
    • Nesta matéria há um consenso entre os cientistas que a fé pode ajudar na manutenção da saúde.

    Vejamos alguns aspectos:

    • Já é quase um consenso entre os médicos que a influencia da crença em Deus reduz o stress!
    •  “As doenças relacionadas ao stress, especialmente aos cardiovasculares, como a hipertensão, o infarto de miorcárdio e o derrame, parecem ser as que mais se beneficiam dos efeitos de uma espiritualidade bem desenvolvida...” – palavras de Marcelo Saad – médico do Hosp. Albert Einsten [1]
    • Varias pesquisam mostram que participar de um grupo religioso estruturado, traz benefícios por aumentar o suporte social à pessoa.
    • Ao realizar um “meta estudo” de 42 pesquisas diferentes, o psicólogo americano Michael McCullough descobriu que as pessoas altamente religiosas tinham 29% a mais de chances de estarem vivas em determinado momento do futuro, que as demais...
    • Robert Hummer, sociólogo e professor da Universidade do Texas, acompanha um grupo de pessoas desde 1992 p/ tentar esclarecer, entre outras questões, a relação entre religião e saúde.
    • Segundo sua pesquisa, quem nunca praticou uma religião tem um risco duas vezes maior de morrer nos próximos oitos anos do que alguém que a pratica uma vez por semana.
    • Em artigo publicado em Seleções de agosto de 2001, Lydka Strohl cita um quadro estatístico que documenta a ligação entre fé e saúde:[2]

     

    1) Vida mais longa

    Pesquisa realizada com 21.000 pessoas nos EUA, entre 1987 e 1995, constatou uma # de 7 anos na expectativa de vida entre pessoas que freqüentam cultos religiosos e as que não freqüentam

    2) Melhor recuperação

    Pesquisas realizadas em 1995 na Faculdade de Medicina de Dartmouth, nos EUA, constataram a probabilidade de sobrevivência três vezes maior após cirurgias cardíacas abertas.

    3) Bem estar geral

    Em pesquisa feita por um epidemiologista (Deus, Fé e Saúde) foi constatado que idosos que se consideravam religiosos tiveram menos problemas de saúde do que os que não eram religiosos.

    4) Batimentos mais firmes

    Em estudo feito em 1997 na Índia, entre uma maioria hindu, os que rezavam regularmente apresentavam 70% menos probabilidade de doença coronariana.

    5) Pressão mais baixa

    Pesquisadores do Duke University, nos EUA, observaram em pesquisa feito com 400 homens, em 1989, que havia um efeito protetor contra a pressão alta entre aqueles que valorizavam a religião e freqüentavam a Igreja.

    6) Boa saúde mental

    Nesta mesma pesquisa foi constatado que freqüentar locais de devoção tem relação com taxas menores de depressão e ansiedade. A pesquisa foi feita em 1999 e incluiu 4.000 idosos.

    Ligação entre fé e medicina - Relato do Psiquiatra Alexander de Almeida: [3]
    “Se uma pessoa participa efetivamente de eventos religiosos, ela usa menos álcool, drogas e cigarros, que são as principais causas (direta ou indiretamente) de morte. Além disso, ela tem um comportamento sexual menos promíscuo e, aí, diminui os riscos de doenças sexualmente transmissíveis. Também valoriza mais a vida, cuida melhor do corpo e se preocupa mais com a saúde”,

    • Numa pesquisa publicada nos EUA, em 1997, pela Sociedade Americana de Psiquiatria verificou-se a influência da religiosidade no sistema imunológico de 1.718 pessoas com mais de 65 anos.
    • O estudo concluiu que aquelas que menos participavam de eventos religiosos tinham o dobro de chances de apresentar instabilidade imunológica.
    • Em 1999, uma experiência realizada pela Universidade de Miami com 106 pessoas portadoras do vírus da AIDS constatou que os pacientes com mais práticas de atividades
    •  
    • religiosas (oração, conversa ou leitura religiosa e freqüência a eventos relacionados) tinham maior quantidade de CD4 – que é o tipo de célula mais destruído pelo vírus HIV.
    • Na entrevista Alexander finaliza dizendo: “Como médicos, temos que nos relacionar com as experiências religiosa do paciente e aproveitá-la em benefício do tratamento. Não pode haver nem negação completa, nem credulidade ingênua".

     

    Relato do Dr. Harold Koenig [4] quanto ao impacto da religião sobre a saúde:

    • Bem-estar, esperança e otimismo – 90 entre 114 estudos comprovaram isto.
    • Propósito e significado na vida – 15 entre 16.
    • Menos depressão e mais rápida recuperação – 60 entre 93.
    • Taxas de suicídio mais baixas – 57 entre 68.
    • Menos ansiedade e medo – 35 entre 69.
    • Maior satisfação e estabilidade marital – 35 entre 38.
    • Maior suporte social – 19 entre 20.

    Medicina e religião: [5]

    • Ao longo da história a arte de curar esteve ligada à religião ou até mesmo a superstição religiosa..
    • No antigo Egito os sacerdotes e mágicos tinham a responsabilidade de curar as doenças do povo.
    • Muitas destas doenças p/ eles estava ligada a espíritos maus ou a outros fatores do sobrenatural.
    • No sistema religioso do A.T. os sacerdotes eram incumbidos do tratamento de doenças
    • Certas regras de higiene que evitariam doenças foram descritas na lei de Moisés...
    • O relato do 1o médico profissional é do Egito. Seu nome: Inhotep e viveu 3000 A.C.
    • Hipócrates é considerado o verdadeiro pai da medicina científica.
    • Aristóteles, foi um dos maiores biólogos da sua época e ensinava Medicina na Acad. de Atenas.
    • Em Alexandria desenvolveu-se uma grande Escola de Medicina.
    • O Talmud relata de médicos que atuavam no Templo em Jerusalém  auxiliando os sacerdotes.
    • Na parábola do Bom Samaritano as estalagens eram como hospitais que cuidavam das pessoas.
    • O grande desafio hoje é aproveitarmos os pressupostos da fé como da medicina em busca do bem comum do ser humano. Ambas podem e devem andar juntas...
    • O relato de Andrew Newberg quanto ao consenso da fé e da medicina.

    O USO DE REMÉDIOS NA BÍBLIA:[6]

    • Os textos de Is.38.21 e 2Rs.4.38-41 mostra o uso comum de remédios.
    • Jesus apoiou o uso de remédios e de médicos – MT.9.12.
    • O bom samaritano fez uso de óleo e vinho sobre os ferimentos do viajante ferido. Lc.10.34.
    • Paulo recomendou remédio para Timóteo – 1Tm.5.23
    • O reconhecimento de Paulo ao Dr. Lucas – Cl.4.14.
    • A unção com óleo em Tg.5.14.

    A CURA DIVINA NO NOVO TESTAMENTO:[7] (Hb.11.1,6)

    • Jesus regularmente ressaltava a fé como um fator importante na cura.
    • Em muitas ocasiões Ele utilizou a expressão “a tua fé te salvou... seja feito conforme a tua fé...”
    • O objetivo das curas era provar que Cristo era o filho de Deus.
    • Jesus não deu ênfase às curas que fazia
    • Jesus não curou todos os doentes que encontrou (Jo.5.1,3,9)
    • Grande parte das doenças que Jesus curou foram casos graves e incuráveis.
    • As curas eram feitas com absoluta perfeição e imediatamente.
    • Deus usou os apóstolos como instrumentos de cura em várias enfermidades..


    REFERÊNCIAS:

    [1] Ele é especialista em acupuntura e faz parte do programa de medicina integrativa e complementar do hospital.

    [2] Ziti, Lizwaldo Mario; Ferreira, Damy. Capelania Hospitalar Cristã. Sta. Barbara: Socep. 2005. págs.24,25.

    [3] Coordena o núcleo de Estudos de problemas espirituais e religiosos na USP. Fonte: Diário (GO) – 06.06.04.

    [4] Ele faz parte do Depto. De psiquiatria e medicina do centro medico da Universidade de Duke, Carolina do Norte.

    [5] Ibid, p.40.

    [6] Ibid, p.60

    [7] Ibid, p.59

                       
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